Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição

de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso

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Proximidade de leilão acirra disputa entre térmicas e baterias

Em: 20/02/2026 às 13:20h por Canal Energia

Associações dizem que baterias conseguem entrar com as condições dadas às térmicas que, por sua vez, defendem a segurança com geração firme

 

Com a proximidade do primeiro Leilão de Capacidade desde 2021 os ânimos entre representantes dos segmentos interessados nessa contratação se acirram. O segmento de baterias diz que os valores revisados do LRCAP poderiam ser atendidos pela modalidade. Por sua vez, a associação de geração térmica defende que esses dispositivos deveriam ter um certame de serviços ancilares, devido à natureza de sua operação de não ser gerador.


O Ministério de Minas e Energia revisou os valores para os preços-teto do LRCAP de 18 e 20 de março. Os aumentos chegaram a até 100%. Esse movimento deveu-se ao fato de que o capex para a contratação dessas usinas estava defasado em relação a 2021.


Baterias querem isonomia

Dessa forma, a Absae e a Absolar saíram em defesa das baterias, que inclusive, deverão ter um LRCAP específico para a tecnologia. Para as entidades os valores anunciados são compatíveis com o setor. Entretanto, alertam que essa visão ocorre desde que preservadas as mesmas condições de prazo de contratação, de acesso ao REIDI e à emissão de Debêntures Incentivadas, e de custos de uso do sistema de transmissão de energia.


Além disso, defendem que poderiam reverter essas condições em benefícios aos usuários do setor. Isso porque, no LRCAP, as UTEs recebem ainda parcela variável pela energia a cada acionamento, o que compõe a estrutura econômica dessas tecnologias e onerando ainda mais o consumidor, argumentam. “O armazenamento terá receita variável nula e a receita da arbitragem do preço da energia será revertida em favor dos usuários”, defende.


Segurança eletroenergética

Por sua vez, a Abraget defendeu que as baterias podem auxiliar o sistema elétrico. Contudo, reforça que o uso deveria se dar de forma adequada e complementar, atuando como serviços ancilares. Por isso, defende que o leilão que o governo pretende realizar para a tecnologia deveria ser o leilão de serviços ancilares e não um leilão de capacidade.


Na avaliação da entidade, que representa a geração térmica, a modalidade pretendida para o armazenamento “traz à tona equívocos estruturais, principalmente no que se refere a conceituação básica de um leilão de capacidade, que é a segurança eletroenergética do sistema interligado nacional (SIN)”, diz em nota.


Nesse sentido, a Abraget afirma que é possível apontar “um número infinito de razões técnicas quanto à segurança elétrica do SIN, não atendida por esses equipamentos”. Entretanto, classificou ser mais simples mencionar a questão da confiabilidade energética do SIN.


“Como é sabido, a bateria gera zero de energia. Portanto, a confiabilidade energética fornecida pelas mesmas é zero. Imagine o ano de 2021 se não tivéssemos térmicas e hidrelétricas e tivéssemos um número infinito de baterias, o que teria ocorrido? Certamente, um racionamento de grande porte, significando que o custo das baterias seria o custo do déficit de energia. Isto mostra claramente a inadequacidade de comparação de custos entre equipamentos totalmente diferentes (baterias não são geradores)”, explica.


Respeito à tecnologia e ao consumidor

Entretanto, reitera em nota seu respeito total pelo papel das baterias. A entidade classifica essa tecnologia como extremamente importante em termos complementares, bem como o papel de outros armazenadores mais robustos, como as usinas reversíveis.


Além disso, destaca o que chama de “extrema relevância das fontes renováveis intermitentes e definitivamente das usinas hidrelétricas” que, em conjunto com as termelétricas flexíveis (e até inflexíveis em menor escala) dão a garantia total da segurança eletroenergética do sistema interligado brasileiro.


Em sua defesa, o segmento de baterias argumenta que dados e análises disponíveis indicam que avançar com a contratação da tecnologia de armazenamento de energia elétrica por baterias é crucial para reduzir encargos e proteger o consumidor. Além disso, mantém a eficiência econômica do sistema.


Adicionalmente, lembra que o armazenamento de energia em baterias é uma solução globalmente consolidada e comprovada para o atendimento de potência nos horários de ponta. Ademais, atua de forma integrada com fontes convencionais e renováveis, otimizando a utilização de energia renovável e agregando segurança e flexibilidade ao funcionamento do SIN e defendem a neutralidade tecnológica nos leilões do setor elétrico.