Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O mercado livre de energia (ACL) alcança 42% de toda a eletricidade consumida no país em 2025. Essa é a maior participação já registrada. Os dados fazem parte do Estudo Cenários do Mercado Brasileiro de Energia, elaborado pela CCEE.
O consumo no Ambiente de Contratação Livre (ACL) cresceu 7,3% em relação ao ano anterior. Já o mercado regulado (ACR), que atende principalmente residências e pequenos comércios, registrou retração de 5,1%. Considerando todo o Sistema Interligado Nacional, o consumo total de energia apresentou leve queda de 0,2%.
Segundo a CCEE, o avanço do mercado livre reflete a migração de consumidores em busca de maior previsibilidade de custos, flexibilidade contratual e acesso a fontes renováveis.
Entre os setores econômicos, o destaque foi o saneamento. O consumo no ambiente livre cresceu 28,3% em 2025, impulsionado pela entrada de novos consumidores e por investimentos estimulados pelo novo marco legal do setor.
Além disso, outras atividades também ampliaram participação no ACL. O consumo do setor de serviços avançou 20,6%, enquanto o comércio registrou alta de 15%. Em ambos os casos, houve crescimento tanto no número de unidades consumidoras quanto na demanda de empresas já presentes no mercado livre.
A análise regional mostra que o modelo já predomina em alguns estados. Entre eles estão Pará, Minas Gerais e Paraná registraram mais da metade de seu consumo de energia no ambiente livre em 2025. No Pará e em Minas Gerais, a participação elevada é influenciada principalmente pelas atividades de mineração, metalurgia e produção de metais. Por sua vez, no Paraná, o avanço está associado à diversificação industrial, com destaque para os setores alimentício e de madeira, papel e celulose.
Em termos de crescimento percentual do consumo no ACL, o Acre registrou a maior alta, de 9,6%. E ainda, o Maranhão aparece em seguida, com 7,7%, e Pará, com 4,6%.
Entretanto, a leve retração no consumo total de energia está associada, em parte, às condições climáticas. Afinal, em 2024, ondas de calor elevaram o uso de equipamentos de refrigeração e ampliaram a base de comparação.
Em 2025, temperaturas mais amenas entre abril e novembro reduziram o uso de ar-condicionado e ventiladores. Esse comportamento ocorreu, especialmente, no consumo residencial e comercial atendido pelo mercado regulado.
Além disso, outro fator é a expansão da micro e minigeração distribuída, sobretudo de sistemas solares instalados em telhados. Como essa energia é consumida localmente, a demanda registrada na rede diminui e aparece, portanto, nas estatísticas como queda do consumo no mercado regulado.
Pelo lado da oferta, a matriz elétrica brasileira segue majoritariamente renovável. Em 2025, 90% da eletricidade gerada no país teve origem em fontes limpas.
A geração hidráulica respondeu por 62,2% do total. As fontes eólica e solar ampliaram participação e passaram a representar, respectivamente, 17,9% e 5,3% da geração nacional. A capacidade instalada do país superou 220 GW, com 86,5% desse total proveniente de fontes renováveis. Além disso, o crescimento foi impulsionado principalmente pela região Nordeste, que adicionou 4,6 GW de potência renovável ao sistema no último ano.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental