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El Niño avança em 2026 e traz desafios ao Brasil

Em: 26/03/2026 às 08:47h por Canal Energia

Fenômeno deve se consolidar no segundo semestre, com impactos como chuvas irregulares, ondas de calor, secas severas e aumento de eventos extremos no país

 

A transição climática global está em curso. Segundo a Agência NOAA, a La Niña, que predominou no último ano, está chegando ao fim, com expectativa de neutralidade climática nas próximas semanas. Segundo a Nottus, a probabilidade é de neutralidade entre maio e julho de 2026. A chance é de 55%, enquanto há 62% de probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre junho e agosto. O fenômeno pode persistir até o final do ano. Estima-se que o El Niño tenha 33% de probabilidade de ser forte e 83% de ser fraco entre outubro e dezembro de 2026.


O segundo semestre de 2026 deve ser marcado por temperaturas elevadas, especialmente na primavera, com temporais isolados no Sudeste e Centro-Oeste. Ou seja, esse cenário pode agravar os riscos de secas severas no Norte e Nordeste, prejudicando a agricultura e o abastecimento hídrico nessas regiões.


A empresa de meteorologia afirma que ainda é cedo para determinar a força do El Niño em 2026. Mas a Nottus alerta que os efeitos do fenômeno podem ser amplificados. Nesse sentido, eventos extremos, como os observados em maio de 2024 no Rio Grande do Sul, não estão descartados.


Outono marca o avanço do El Niño

Já a Climatempo destacou que com as chuvas persistentes, o impacto direto será nas operações a céu aberto de setores como mineração, infraestrutura. E nas mais diversas concessionárias de rodovias e de energia, especialmente dos setores de transmissão e distribuição. Por outro lado, espera-se uma recuperação de reservatórios do setor de saneamento e das hidrelétricas pelo menos até maio.


De acordo com a Climatempo, o El Niño costeiro é um aquecimento acima do normal registrado de forma concentrada no litoral norte do Peru e do Equador. No Brasil, o fenômeno facilita a ocorrência de períodos de maior aquecimento no centro-sul. Já o El Niño clássico, deve se formar no final do outono ou começo do inverno, tendo como principais efeitos o aumento da chuva sobre áreas da região Sul, a maior irregularidade da chuva e o aumento da temperatura no CentroOeste e no Sudeste, e a diminuição das precipitações no Norte e no Nordeste do Brasil.


O El Niño, decorrente do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, deixa o ar mais quente e faz com que a chuva ocorra de forma irregular na maior parte do País, ao mesmo tempo que aumenta as chuvas no Rio Grande do Sul e reduz no extremo norte brasileiro, onde a Amazônia e Nordeste ficam mais propensos a seca severa.


Ondas de calor

A análise da Climatempo indica que o período mais frio este ano deve ter um maior número de incursões de ar frio restrito aos meses de maio e junho. Contudo, essa chance diminui gradualmente a partir de julho com o desenvolvimento mais consistente do El Niño.


Neste cenário de temperaturas acima da média previstas, deverá haver maior consumo e demanda de energia, impactando, especialmente, a geração e os preços do mercado de curto prazo.


El Niño traz mais instabilidade na primavera

Em contrapartida, o Sul do País fica mais sujeito a tempestades e mais nublado já no inverno. Segundo a Climatempo, os eventos de chuva abrangente, com risco de enchentes, além dos fortes temporais tendem a aumentar expressivamente na primavera. Parte desta instabilidade da Região Sul poderá ser sentida também nos estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo.


As previsões apontam ainda que a cheia dos rios na Amazônia em 2026 deve ser maior do que a do ano passado, seguida por um período de vazante muito mais acentuado.