Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
A Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia divulgou um estudo no qual aponta alta de 59% no preço da energia em dois anos. O valor passou de R$ 147 por MWh para R$ 233 por MWh entre janeiro de 2024 e março de 2026. Esse preço foi registrado em contratos de longo prazo do produto convencional para os quatro anos subsequentes.
Outro parâmetro do mercado livre de energia é sobre os preços trimestrais. Estes balizam contratos de energia convencional para os três meses subsequentes e mostram escalada ainda mais acentuada. No mesmo período, o preço trimestral da energia do mercado livre sofreu uma elevação de 121%, ou seja, passaram de R$ 143 por MWh em 2024 para R$ 317 por MWh em 2026.
De acordo com a entidade, a escalada de preços nos anos recentes acende um sinal de alerta. Afinal, essa elevação pode afetar a decisão de milhões de consumidores que passarão a ter direito de escolher o fornecedor de energia em 2027 e 2028. A Lei 15.269 estabeleceu a abertura do mercado livre escalonada para indústria e comércio e, posteriormente, a todos os consumidores de baixa tensão.
A entidade explica que essa “escalada” de preços no mercado livre segue o avanço do Preço de Liquidação de Diferenças. Nesse sentido, o PLD médio sofreu uma elevação de 84% nesse período, passando de R$ 129 por MWh em 2024 para R$ 236 por MWh em 2026.
Segundo Rodrigo Ferreira, presidente da Abraceel, governo e sociedade precisam ficar atentos para o preço da energia. Afinal, essa variável poderá inviabilizar o setor produtivo e a política pública que se pretende alcançar com a abertura de mercado para todos os consumidores. E ainda implicar em impactos inflacionários.
A curva de preços de energia da Dcide mostra que a energia convencional para um ano está cotada a R$ 224,83 por MWh na semana de 1º de abril. No ano a elevação é de 17,74%. Ao final de março de 2025 o valor estava em R$ 185,79 por MWh.
Entre as críticas que a associação faz está o desarranjo setorial. Em sua análise a situação afastou novos investimentos em geração, principalmente em função de inconsistências que vêm sendo observadas nos modelos de formação de preços.
Entretanto, lembra que há um elemento novo ocorrendo no setor que é uma escassez de oferta no mercado livre. A liquidez vem sendo alvo de reclamação da associação e de agentes que comentaram ao CanalEnergia que há grandes grupos descontratados que não fecham contrato e esperam a liquidação da geração ao PLD.
A Volt Robotics indicou em meados de março que o curtailment escalou no último trimestre e que o preço da energia triplicou no período. Essa combinação impactou o setor elétrico.
A Abraceel aponta em comunicado o preço elevado associado à crise de oferta e escassez de energia nova pode levar os consumidores livres à exposição a preços impagáveis. Por isso afirma que a Agência Nacional de Energia Elétrica precisa ter um olhar atento à situação. Para, dessa forma, evitar artificialidades na formação do preço da energia, como poder de mercado e sobrecustos com a operação do sistema.
Por sua vez, o diretor geral da Aneel Sandoval Feitosa, afirmou que a autarquia dispõe de mecanismos para avaliar uma eventual situação de abuso. Entretanto, considera esse um processo de alta complexidade. Por isso, ele ainda pediu que as comercializadoras ou agentes do setor que tenham informações privilegiadas encaminhem para a Aneel esses dados. Para, dessa forma, a autarquia analisar se não está tendo nenhum abuso ou se é realmente um movimento natural e defensivo diante o momento que o setor vive.
Nesse sentido ele relaciona as comercializadoras que estão em busca dessa liquidez no mercado, bem como geradoras renováveis para cumprir suas obrigações no mercado. E ainda, lembra que o mercado é livre e então pode ser parte da estratégia das geradoras descontratadas. “Se ela não for uma estratégia predatória, ela é livre”, definiu.
“Então o que nós vamos, em algum momento, verificar isso, é se não está havendo nenhum movimento de concentração, de abuso de poder econômico ou algo do gênero. Mas o que a gente tem estruturalmente, por esses movimentos é uma redução natural da energia transacionada. Obviamente nós temos que os preços, eles também sofrem uma elevação em função da própria formação de preço, que é a questão da elevação do PLD”, analisou Feitosa.
Ele afirmou ainda a jornalistas após participar do evento CNN Talks sobre energia que comercializadores com energia estejam tomando posições mais defensivas. E ainda, exigindo maiores garantias. E acrescentou que a autarquia precisa avaliar a situação como um todo.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental