Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O curtailment é uma situação crítica e sem precedentes. Foi assim que a assessora executiva do ONS, Sumara Ticom definiu os cortes cada vez mais frequentes e profundos de geração renovável durante o dia. Essa situação vem combinada com uma perigosa escassez de potência durante a noite. Para enfrentar esse cenário, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) defende que os leilões de reserva de capacidade são uma questão de segurança nacional.
A representante foi enfática ao apresentar os números dos corte durante o São Paulo Innovation Week, realizado em São Paulo, nesta quarta-feira, 13 de maio. “O corte de geração tem uma ótica de segurança do setor elétrico brasileiro, porque se a gente não fizer o corte de geração, o risco é de ter grande blackout no país”, disse.
Os dados apresentados por Sumara revelam uma transformação preocupante no perfil dos cortes de geração. Enquanto os cortes eram motivados principalmente por restrições de transmissão, agora a razão energética está se tornando o principal motivo. Ou seja, falta demanda.
Sumara lembrou que a situação chegou a um ponto crítico no Dia dos Pais do ano passado, quando o ONS cortou praticamente toda a geração centralizada do sistema. “Poderíamos ter um Dia das Mães bem complicado também, um final de semana bem complicado. A sorte é que nós não tivemos uma incidência solar muito grande, então isso não precisou acionar o plano”, revelou a executiva.
O problema se agrava porque o ONS só tem controle sobre a geração centralizada conectada à rede básica. A geração distribuída, que se tornou a segunda maior fonte do Brasil, opera fora desse controle direto—criando um risco sistêmico crescente. “Eu não posso imaginar deixar de lado essa geração porque eu posso esgotar os recursos necessários”, alertou.
Diante da polêmica em torno dos leilões de reserva de capacidade, Sumara esclareceu a natureza técnica da questão, distanciando-a do debate político sobre fontes energéticas contratadas.
“É muito importante a gente entender que, independentemente de toda questão e toda discussão que está a respeito do LRCAP, a indicação do ONS já desde 2022 é a necessidade de leilões para atender a ponta noturna, sem fazer nenhum juízo ou sem definir a fonte, porque isso é uma atribuição do Ministério de Minas e Energia”, enfatizou.
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