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Estudo revela que poluição por carvão afeta produção de energia solar

Em: 15/05/2026 às 08:50h por Canal Energia

Pesquisa liderada pela Universidade de Oxford e pelo University College London descobriu que partículas suspensas no ar reduziram a produção global de eletricidade solar em 5,8% em 2023

 

Uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Oxford e pelo University College London revelou que a poluição proveniente de usinas termelétricas a carvão está reduzindo significativamente a produção de energia de instalações fotovoltaicas solares, principalmente onde estas são construídas lado a lado. As conclusões foram publicadas na revista Nature Sustainability. Levantamento da Agência Internacional de Energia mostrou que a demanda global de energia cresceu 1,3% em 2025, liderada pela fonte solar.


O novo estudo mapeou e avaliou mais de 140 mil instalações solares em todo o mundo usando dados de satélite. Combinando esses dados com informações atmosféricas sobre poluição do ar, os pesquisadores calcularam quanta luz solar é perdida e como isso reduz a geração de eletricidade. Eles descobriram que os aerossóis – minúsculas partículas suspensas no ar – reduziram a produção global de eletricidade solar em 5,8% em 2023. Isso equivale a 111 TWh de energia perdida, a quantidade gerada por 18 usinas termelétricas a carvão de médio porte.


Essas perdas representam uma restrição significativa e frequentemente negligenciada na transição para energia limpa. Entre 2017 e 2023, novas instalações fotovoltaicas adicionaram uma média de 246,6 TWh de eletricidade por ano. Enquanto isso, as perdas relacionadas a aerossóis em sistemas existentes atingiram 74 TWh anualmente. O valor é equivalente a quase um terço dos ganhos da nova capacidade. Isso destaca uma interação até então desconhecida entre o uso de combustíveis fósseis e a energia renovável, na qual as emissões de um sistema reduzem diretamente o desempenho do outro.


Carvão e solar se expandem, enquanto emissões alteram o ambiente


De acordo com o autor principal, Rui Song, do Departamento de Física da Universidade de Oxford, o mundo testemunha uma rápida expansão global da energia renovável. Contudo, a eficácia dessa transição é menor do que se costuma supor. Segundo ele, à medida que o carvão e a energia solar se expandem em paralelo, as emissões alteram o ambiente de radiação, prejudicando diretamente o desempenho da geração solar.


Para identificar as fontes dessas perdas relacionadas a aerossóis, os pesquisadores rastrearam suas origens. Descobriram que a geração de energia a carvão é uma das principais contribuintes. Esse efeito é particularmente evidente na China, onde a capacidade de geração de energia solar e a carvão se expandiram em paralelo e muitas vezes estão localizadas no mesmo local. Regiões com alta capacidade de geração de energia a carvão coincidiram estreitamente com áreas que apresentam as maiores perdas de energia solar fotovoltaica.


A China é a maior produtora mundial de energia solar, tendo gerado 793,5 TWh de eletricidade solar fotovoltaica em 2023 (41,5% do total global). No entanto, também sofreu as maiores perdas devido a aerossóis, com uma redução de 7,7% na produção total. Os pesquisadores estimam que cerca de 29% das perdas de energia solar fotovoltaica na China relacionadas a aerossóis provêm especificamente de usinas termelétricas a carvão. As usinas a carvão emitem partículas finas de poluição que dispersam e absorvem a luz solar, reduzindo a quantidade que chega aos painéis solares próximos. Como resultado, os painéis geram menos eletricidade do que poderiam.


China


O estudo aponta que a poluição do ar não apenas bloqueia a luz solar, como também altera as nuvens. Essa ação pode reduzir ainda mais a geração de energia solar. Isso significa que o impacto real provavelmente é maior do que o medido. Nesse sentido, pode estar ser superestimado o quanto a energia solar pode contribuir para a redução das emissões se a poluição proveniente das usinas a carvão não for controlada.


A China foi a única grande região a apresentar uma melhoria sustentada. As perdas de energia solar fotovoltaica relacionadas a aerossóis diminuíram em média 0,96 TWh por ano (-1,4% ao ano) entre 2013 e 2023. Isso provavelmente se deve a padrões de emissão mais rigorosos. E ainda, à ampla adoção de tecnologias de baixíssima emissão em usinas termelétricas a carvão. Entretanto, não a uma redução na capacidade de geração a carvão em si.


Para realizar a análise, os pesquisadores combinaram imagens de satélite e aprendizado de máquina para identificar e mapear mais de 140.000 instalações solares em todo o mundo. Em seguida, integraram esses dados com observações atmosféricas e um modelo de energia solar validado para estimar quanta eletricidade cada local gera e quanta é perdida devido à poluição do ar.