Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
Estudo da Nottus aponta que novo El Niño pode intensificar eventos extremos e pressionar sistema elétrico, somando-se à perspectiva de altas tarifárias em junho. De acordo com a análise, após o término do episódio de La Niña, as condições do Oceano Pacífico Equatorial estão evoluindo para uma neutralidade. Previsões da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) indicam alta probabilidade de transição para El Niño entre maio e julho deste ano.
A Nottus ressalta que mesmo El Niño de fraca intensidade pode gerar impactos consideráveis em um planeta com temperaturas cada vez mais elevadas. Para o setor elétrico, o cenário demanda planejamento operacional criterioso, gestão eficiente de carga e monitoramento hidrológico constante.
O levantamento aponta que as regiões Centro-Oeste e Sudeste podem registrar temperaturas acima da média no segundo semestre. Ou seja, com maior frequência de ondas de calor. Assim, o cenário tende a elevar a demanda por refrigeração e, consequentemente, o consumo de energia elétrica.
Já nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução no volume de chuvas, o que pode gerar pressão sobre os recursos hídricos e comprometer a geração hidrelétrica, fonte que ainda representa parcela significativa da matriz energética brasileira.
Após a confirmação da bandeira tarifária amarela para maio pela Aneel, as atenções do setor elétrico agora se voltam para junho. A perspectiva é de que o mês deve manter o cenário de pressão tarifária no país. A expectativa é de continuidade da bandeira amarela, com possibilidade de acionamento da vermelha patamar 1, diante da piora das condições hidrológicas e do avanço do período seco.
Segundo Matheus Machado, especialista em inteligência de mercado do Grupo Bolt, o cenário para junho segue desafiador e exige atenção tanto de consumidores quanto de empresas.
A pressão tarifária ocorre em um contexto de reajustes nas tarifas de energia elétrica em diversas distribuidoras do país. Nesse sentido, levantamentos com base em dados da Aneel mostram que cerca de 35 milhões de unidades consumidoras devem ser impactadas por aumentos tarifários até junho. Ou seja, o equivalente a quase 40% do total nacional. Em alguns casos, os reajustes superam a inflação e se aproximam de 20%.
Para Machado, no entanto, a discussão sobre junho vai além da questão climática ou da sazonalidade das bandeiras tarifárias. O especialista prevê continuidade da pressão tarifária nos próximos meses, especialmente no inverno e período seco, com possível agravamento do cenário até setembro.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental