Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, no domingo, 7 de junho, o plano de gestão de excedentes para a operação deste domingo. Ao todo, foram gerenciados 1.000 MW entre 10h e 14h. De acordo com o operador, a medida foi adotada diante da combinação de dois fatores. Por um lado, a forte geração de energia por micro e minigeração distribuída. De outro, a redução da carga no sistema em razão do feriado prolongado de Corpus Christi.
Com isso, as distribuidoras foram comunicadas previamente e realizaram as manobras necessárias para manter o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN). Além disso, o ONS implementou medidas operativas adicionais para reduzir a geração de energia no sistema.
Segundo nota o ONS, o órgão manteve contato permanente com os agentes do setor durante a operação. Ao mesmo tempo, coordenou as ações em tempo real e ajustou o uso dos recursos disponíveis de acordo com o comportamento da demanda. Segundo o ONS, a operação transcorreu sem intercorrências e garantiu a manutenção da segurança elétrica do sistema.
O Operador destacou que segue também atento a nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema, de acordo com os procedimentos de rede vigentes.
As medidas emergenciais adotadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para administrar excedentes de geração neste domingo voltaram a expor gargalos da infraestrutura elétrica brasileira. Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o episódio evidencia a necessidade de acelerar a modernização do setor e ampliar o uso de sistemas de armazenamento de energia.
A combinação de alta geração solar e baixa demanda durante o feriado prolongado levou o operador a acionar procedimentos especiais para preservar a segurança do sistema. Segundo a entidade, contudo, o cenário está longe de ser excepcional. Ou seja, trata-se de uma situação cada vez mais comum em mercados que avançam na transição energética.
A entidade identifica três entraves principais. O primeiro é a elevada carga tributária sobre sistemas de armazenamento. Hoje, a tributação supera 70%, patamar considerado incompatível com o papel estratégico atribuído às baterias para a segurança do sistema elétrico.
Além disso, a realização dos leilões de reserva de capacidade voltados ao armazenamento continua sem definição. Embora o tema esteja em discussão há anos, o país ainda não contratou, em larga escala, baterias capazes de absorver excedentes de geração renovável em períodos de baixa carga.
Por fim, a associação aponta o ritmo lento da modernização regulatória. Questões como o reconhecimento de receitas para sistemas de armazenamento, a atualização da estrutura tarifária e a regulamentação das baterias instaladas pelos consumidores seguem sem avanços relevantes.
Diante desse cenário, a Absolar defende uma atuação coordenada entre Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e ONS. Entre as prioridades estão a realização de leilões anuais para contratação de armazenamento, a redução da carga tributária sobre baterias. Além do desenvolvimento de mecanismos regulatórios para gestão dos excedentes de energia sem comprometer os investimentos já realizados no setor.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental