Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição

de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso

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ONS aciona plano de gestão excedente no domingo

Em: 09/06/2026 às 08:32h por Canal Energia

Ação envolveu corte de 1.000 MW para preservar o equilíbrio do sistema diante da alta geração distribuída e da queda da demanda

 

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, no domingo, 7 de junho, o plano de gestão de excedentes para a operação deste domingo. Ao todo, foram gerenciados 1.000 MW entre 10h e 14h. De acordo com o operador, a medida foi adotada diante da combinação de dois fatores. Por um lado, a forte geração de energia por micro e minigeração distribuída. De outro, a redução da carga no sistema em razão do feriado prolongado de Corpus Christi.


Com isso, as distribuidoras foram comunicadas previamente e realizaram as manobras necessárias para manter o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN). Além disso, o ONS implementou medidas operativas adicionais para reduzir a geração de energia no sistema.


Segundo nota o ONS, o órgão manteve contato permanente com os agentes do setor durante a operação. Ao mesmo tempo, coordenou as ações em tempo real e ajustou o uso dos recursos disponíveis de acordo com o comportamento da demanda. Segundo o ONS, a operação transcorreu sem intercorrências e garantiu a manutenção da segurança elétrica do sistema.


O Operador destacou que segue também atento a nova realidade eletroenergética e trabalhando para garantir a segurança e a eficiência do sistema, de acordo com os procedimentos de rede vigentes.


Acionamento do ONS expõe limite da rede elétrica, aponta Absolar

As medidas emergenciais adotadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para administrar excedentes de geração neste domingo voltaram a expor gargalos da infraestrutura elétrica brasileira. Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o episódio evidencia a necessidade de acelerar a modernização do setor e ampliar o uso de sistemas de armazenamento de energia.


A combinação de alta geração solar e baixa demanda durante o feriado prolongado levou o operador a acionar procedimentos especiais para preservar a segurança do sistema. Segundo a entidade, contudo, o cenário está longe de ser excepcional. Ou seja, trata-se de uma situação cada vez mais comum em mercados que avançam na transição energética.


A entidade identifica três entraves principais. O primeiro é a elevada carga tributária sobre sistemas de armazenamento. Hoje, a tributação supera 70%, patamar considerado incompatível com o papel estratégico atribuído às baterias para a segurança do sistema elétrico.


Além disso, a realização dos leilões de reserva de capacidade voltados ao armazenamento continua sem definição. Embora o tema esteja em discussão há anos, o país ainda não contratou, em larga escala, baterias capazes de absorver excedentes de geração renovável em períodos de baixa carga.


Por fim, a associação aponta o ritmo lento da modernização regulatória. Questões como o reconhecimento de receitas para sistemas de armazenamento, a atualização da estrutura tarifária e a regulamentação das baterias instaladas pelos consumidores seguem sem avanços relevantes.


Diante desse cenário, a Absolar defende uma atuação coordenada entre Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e ONS. Entre as prioridades estão a realização de leilões anuais para contratação de armazenamento, a redução da carga tributária sobre baterias. Além do desenvolvimento de mecanismos regulatórios para gestão dos excedentes de energia sem comprometer os investimentos já realizados no setor.