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CMSE mantém os parâmetros de aversão ao risco para 2027

Em: 11/06/2026 às 08:44h por Canal Energia

Além de manter os indicadores vigentes, o comitê recomendou também um cronograma prioritário de aprimoramentos no modelos computacionais do setor elétrico

 

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico decidiu manter para 2027 os parâmetros de aversão ao risco da metodologia CVaR adotados no ciclo atual. Entretanto, todo o barulho feito pelo mercado em relação ao nível de conservadorismo não passou despercebido. O colegiado recomendou a definição de um cronograma prioritário de aprimoramentos na cadeia de modelos computacionais usados no planejamento, operação e formação de preços do setor.


A decisão sobre os parâmetros de risco era esperada para o mês passado. Contudo, o CMSE resolveu adiar a decisão sobre o tema e solicitar avaliações adicionais do ONS e da CCEE sobre o impacto dos leilões de reserva de capacidade (LRCAP) de março desse ano. A deliberação finalmente ocorreu na reunião desta quarta-feira, 10 de junho.


Porém, a opção adotada pelo comitê mantém os valores os parâmetros de risco da metodologia CVaR em 15,40 para os modelos de operação e formação de preços ( Newave Híbrido). E ainda, em 25,35 para o planejamento da expansão e cálculo da garantia física (Newave REE).


Nivel aderente


Nesse sentido, o CMSE informou que o par 15 (alfa)/40 (lambda) é o que mais se aproxima do nível de aversão ao risco aderente à realidade operacional. A conclusão é reforçada, de acordo com o comitê, pela expressiva redução dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS) nos últimos anos. O valor é adotado desde janeiro de 2025, quando o planejamento da operação passou a usar o Newave Híbrido.


“A decisão vai ao encontro da segurança energética do sistema e favorece a obtenção de respostas apropriadas no CMO e no PLD. Como resultado, observa-se a formação de preços no curto prazo mais adequada à realidade operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN), evidenciando, com maior precisão, os custos da geração de energia elétrica acionada para atendimento à carga”, afirmou em nota o Ministério de Minas e Energia.


A nota diz ainda que a aderência entre operação e formação de preço contribui para reduzir a necessidade de intervenções extraordinárias. É o caso de despachos térmicos fora da ordem de mérito econômico para a garantir o suprimento ao sistema.


Inclusão do LRCAP e expectativa de PLD


A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica informou que a inclusão do resultado do LRCAP 2026 nos modelos computacionais mostrou redução da expectativa do PLD. Assim, resultou em menor despacho de usinas termelétricas e probabilidade também menor de acionamento da bandeira vermelha.


Além dos impactos do LRCAP, o CMSE considerou o relatório do Comitê Técnico do PMO/PLD. O documento traz as conclusões do estudo da avaliação do nível de aversão ao risco dos modelos computacionais do setor elétrico. A decisão se baseou, ainda, no relatório técnico que consolidou as contribuições recebidas de agentes setoriais, em da Consulta Externa realizada pelo comitê técnico entre fevereiro e abril desse ano.


Associações falam em custo de R$ 3 bi


Uma possível decisão pela continuidade dos parâmetros atuais vinha mobilizando agentes do mercado. Entre elas algumas das principais associações dos setor elétrico. Na semana passada, esse grupo divulgou um novo manifesto pedindo a mudança para um índice menos conservador. Argumentaram que que a manutenção do critério atual vai aumentar a conta dos brasileiros em R$3 bilhões, para uma economia de apenas 0,4% nos reservatórios.


O setor de comercialização é outro que está sendo afetado. Há comercializadoras que recorreram à Recuperação Judicial onde apontam que os parâmetros do CVaR mais conservadores estão entre as causas dos problemas pelos quais essas empresas passam.


Modelos sob escrutínio


O grupo também tratou da necessidade de avanços nos modelos computacionais do setor elétrico. Como resultado, o CMSE decidiu recomendar ao Comitê de Governança Específica a criação de um cronograma de atividades de curto, médio e longo prazos. A proposta é tratar em cada horizonte temporal dos diversos aprimoramentos necessários.


Por exemplo, sinaliza priorizar a avaliação e o desenvolvimento de novas opções de modelos eletroenergéticos. O objetivo é prover alternativas de evolução ágil nas ferramentas que guiam o planejamento, a operação e a formação de preços do setor.


Também fala em dar prioridade a aperfeiçoamentos metodológicos, processuais e de modelagem que sejam comuns e necessários à cadeia atual de modelos eletroenergéticos. E também às outras opções de ferramentas. A ideia é a aproximar a programação e o planejamento da operação e da expansão à realidade física do Sistema.


Adicionalmente, o CMSE também atualizou o Volume Mínimo Operativo (VMinOp) no subsistema Norte, que passou de 28% para 27,8%. E no Nordeste, que saiu de 23,3% para 23,1%. Porém, manteve em 20% o volume mínimo para o Sudeste e as bacias do Paraná e Paranapanema. E em 30% para o Sul e a bacia do Iguaçu.


Os parâmetros de aversão ao risco do CVaR e a atualização do VMinOp serão aplicados no próximo ciclo operativo, que inicia em janeiro de 2027. O colegiado precisava definir esses dados na reunião de hoje, pois as regras indicam a necessidade de estabelecer os parâmetros com seis meses de antecedência à sua vigência.