Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição

de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso

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Silveira quer que leilão de março tenha sido o último de fósseis

Em: 15/07/2026 às 08:45h por Poder 360

Ministro de Minas e Energia diz esperar que governo não tenha mais que leiloar contratos de capacidade para usinas não renováveis

O LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência) realizado pelo governo em março pode ter sido o último com contratações de usinas movidas a combustíveis fósseis, indicou nesta 3ª feira (14.jul.2026) o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD).


“Eu espero que o último leilão que a gente tenha feito de segurança energética com combustíveis fósseis, tenha sido esse que nós fizemos [em março]”, declarou Silveira a jornalistas após a reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). O ministro disse ter levado essa posição ao colegiado, que reúne 18 ministérios do governo.


Segundo Silveira, a independência de leilões de combustíveis fósseis depende do sucesso do 1º leilão de baterias convocado pelo governo, que permitirá ao sistema armazenar energia de usinas eólicas e solares, reduzindo a necessidade de termelétricas.


“Talvez mais um pequeno [leilão de fósseis] possa ser necessário durante esse período, mas o futuro do Brasil está nas energias que não são energias inflexíveis, que são energias intermitentes, que são as renováveis. Desde que dê certo o leilão de bateria, nós faremos isso. Vai ser muito importante para a gente armazenar literalmente o vento, o sol, vamos poder estender o sol em sequências de 18h até as 22h, 23h, armazenando a energia solar e eólica”, disse.


Como mostrou o Poder360, o LRCap realizado em março contratou quase 20 GW (gigawatts) em disponibilidade de energia para assegurar o fornecimento imediato em momentos de necessidade do sistema. As contratações ultrapassaram R$ 515 bilhões.


O certame tornou-se alvo de ações na Justiça, no TCU (Tribunal de Contas da União) e no Congresso Nacional, entre outros motivos, por causa do alto montante de energia não renovável contratado. Cerca de 90% da energia contratada no certame envolve combustíveis fósseis –termelétricas a gás e carvão.


Diferentemente das energias solar e eólica, que dependem de sol e vento para geração, as termelétricas podem ser acionadas a qualquer momento, independentemente do horário ou das condições climáticas, o que explica, segundo o MME, a predominância no leilão de capacidade, que buscou assegurar o fornecimento para momentos críticos.


Com a entrada das baterias, o governo espera que o sistema possa armazenar a energia proveniente das renováveis durante os momentos em que há boas condições climáticas de geração e usá-la em momentos estratégicos, como o fim da tarde e início da noite, quando o consumo sobe no país.


O PEN (Plano da Operação Energética 2026-2030) divulgado na última semana pelo ONS recomenda ao governo a realização de mais leilões de reserva de capacidade nos próximos anos.


Embora não especifique preferência por nenhum tipo de fonte, o Operador afirma que o Brasil corre risco, a partir de 2027, de ficar sem potência suficiente para atender à demanda de energia elétrica em momentos considerados críticos. O ONS sugere que as contratações sejam anuais.