Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O grande volume de projetos de armazenamento de energia cadastrados para o próximo leilão de baterias demonstra forte interesse do mercado e confirma o grande potencial do Brasil para atrair investimentos no setor. A avaliação é do diretor de novos negócios da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Marcello Cabral. Ele ainda pondera que o número indica mobilização e interesse, mas não significa que todos os projetos estejam maduros.
“O principal filtro será a habilitação técnica da EPE, especialmente quanto à conexão, ao licenciamento, às garantias financeiras e à viabilidade de implantação”, disse.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) informou que mais de 6 mil projetos foram inscritos, somando 296,8 GW. Segundo Cabral, as baterias podem armazenar parte da energia que seria cortada por curtailment e devolvê-la ao sistema em horários mais adequados, mas não substituem os investimentos em transmissão. O executivo destaca o crescente interesse em projetos colocalizados ou integrados, que podem aproveitar infraestrutura existente e reduzir custos de conexão.
“O armazenamento permite deslocar a entrega da energia para períodos de maior demanda, reduzir a exposição aos cortes e oferecer serviços de flexibilidade e segurança ao sistema. Isso agrega valor à geração eólica e melhora sua capacidade de atender às necessidades do consumidor. Além disso, cria oportunidades para otimização do uso da infraestrutura elétrica existente e para a oferta de novos serviços ao sistema”, ressaltou o executivo ao CanalEnergia
A principal preocupação do setor é assegurar regras claras, equilibradas e definidas antes do leilão, especialmente sobre conexão, remuneração e penalidades. “A atribuição dos encargos exclusivamente aos geradores pode aumentar riscos e reduzir a competitividade das fontes renováveis”, alerta Cabral. Ele sugeriu a discussão posterior do rateio do Encargo de Energia de Reserva de Capacidade (ERCAP) para evitar judicialização.
A questão ganhou novo capítulo após o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, defender que a regulação do custeio ocorra conforme a Lei 15.269/2025. A lei prevê que os geradores paguem os encargos. Em resposta, a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) reforçou a urgência na aprovação do PL 3.716/2026, argumentando que o projeto corrige uma distorção regulatória introduzida durante a tramitação da Medida Provisória nº 1.304.
“O PL 3.716/2026 apenas restabelece a isonomia, tratando as baterias em igualdade de condições com outros recursos de potência. Essa regra desigual foi inserida apenas no relatório final da MP 1.304, sem justificativa escrita e emenda formal “, afirma o diretor executivo da ABSAE, Fabio Lima. “O Brasil precisa do BESS operando em 2028 para garantir a segurança do fornecimento de energia. Portanto, garantir o êxito da contratação é imprescindível e urgente”, conclui.
Já o Instituto E+ Transição Energética alerta que o setor elétrico brasileiro não pode perder o foco no fato de que o país dispõe de um conjunto de alternativas para aumentar a flexibilidade da operação do sistema.
“O país conta com um cardápio de opções para ampliar a flexibilidade. Evidentemente que as baterias devem fazer parte desse conjunto. Contudo, não podem ser a única alternativa como a quantidade de projetos inscritos pode nos levar a crer”, avalia Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+. Dessa forma, o think tank defende que o aumento de flexibilidade também passe por projetos de resposta da demanda, modernização dos serviços ancilares, melhor sinalização locacional e temporal de preços, aperfeiçoamento da operação hidrelétrica e volta da coordenação entre expansão e operação.
Santos também questiona a viabilidade dos projetos. “Considerando os custos e a restrita oferta internacional de baterias, a imensa maioria dos cadastrados não é técnica nem comercialmente viável”, afirma. Ainda assim, o Instituto E+ reconhece a importância do leilão e elogia a qualidade das regras. De acordo com o Instituto, isso inclui contratos longos que darão previsibilidade aos investidores, bonificação locacional alinhada a benefícios sistêmicos. A separação entre produto nacionalizado e produto aberto também está na lista.
Nesse sentido, a expectativa para o leilão é positiva. Em especial diante do expressivo número de projetos cadastrados, que tende a proporcionar elevada competição e preços competitivos. “No entanto, o sucesso do leilão também depende da contratação de projetos tecnicamente robustos, com acesso viável à rede, capacidade financeira e condições reais de implantação no prazo”, ressalta Cabral.
O diretor da ABEEólica conclui que, se os pontos regulatórios forem adequadamente equacionados, o leilão poderá representar um marco para o armazenamento no Brasil. Com isso, inaugurando um mercado capaz de ampliar a flexibilidade, a segurança e a eficiência do sistema elétrico.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental