Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prepara uma operação mais conservadora dos reservatórios para o próximo ciclo de controle de cheias. O órgão avalia ampliar o volume de espera na bacia do rio Paraná diante dos sinais de um cenário úmido associado ao El Niño.
Segundo Paulo Diniz, especialista de Recursos Renováveis da Diretoria de Operação do ONS, os índices de junho e julho já indicavam uma condição compatível com um cenário úmido. De acordo com ele, a decisão considera uma janela móvel de seis índices
O El Niño, porém, não permite antecipar com precisão o comportamento das chuvas no Sudeste. Ainda assim, o histórico reforça a necessidade de cautela. As cheias de 1982 e 1983, a maior da série histórica, e de 2006 e 2007 ocorreram durante eventos do fenômeno.
“É um resguardo a mais que a gente tem para um controle de cheia na bacia do rio Paraná”, afirmou Diniz durante workshop “Reflexos do fenômeno El Niño no Sistema Interligado Nacional”, promovido pelo ONS.
No Sul, o ONS já adotou uma estratégia preventiva diante do risco de chuvas mais intensas. A medida prevê níveis-meta para os principais reservatórios das bacias dos rios Iguaçu, Jacuí e Uruguai.
A estratégia permite rebaixar os reservatórios antes da chegada de eventos extremos. Assim, aumenta o espaço disponível para absorver o avanço das vazões.
O processo começa com os alertas da área de meteorologia. Quando há previsão de chuvas relevantes, o ONS pode antecipar em quatro ou cinco dias as discussões com os agentes de geração. A partir daí, são feitas simulações hidráulicas e definidos os níveis de operação.
A usina de Machadinho, no rio Uruguai, exemplifica a medida. Antes de um evento de forte aumento das vazões, o reservatório foi rebaixado preventivamente.
A vazão afluente saltou de pouco mais de 1 mil para quase 8 mil metros cúbicos por segundo. Segundo Diniz, a operação permitiu amortecer em mais de 1 mil metros cúbicos por segundo o pico da cheia. A estratégia cria uma margem adicional para a operação em eventos extremos.
O planejamento do ONS também considera o cenário oposto. Em períodos de seca, estudos técnicos podem indicar a flexibilização de condicionantes hidráulicos, principalmente das vazões mínimas.
O São Francisco é um exemplo. Entre 2013 e 2015, a vazão mínima estabelecida era de 1.300 metros cúbicos por segundo.
Segundo Diniz, a flexibilização teria evitado um esgotamento mais rápido dos reservatórios e da capacidade de regularização da bacia. Com o avanço da seca, a vazão natural chegou a cerca de 600 metros cúbicos por segundo.
Por isso, o ONS busca antecipar os gargalos. As medidas são discutidas com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), inclusive nas salas de crise.
Apesar das incertezas sobre o próximo período chuvoso, os níveis de armazenamento oferecem uma margem de segurança.
No Sudeste, os reservatórios estão em situação melhor do que nos dois anos anteriores. No Nordeste, o armazenamento estava em 82%, segundo os dados apresentados por Diniz. O Sul também recuperou parte dos níveis após uma seca significativa. Agora, entretanto, a região está sob monitoramento para possíveis eventos de cheia. No Norte, a operação segue a curva de deplecionamento de Tucuruí.
Para Diniz, o armazenamento atual permite enfrentar eventuais mudanças nas condições hidrológicas com maior margem. No Nordeste, a atenção permanece sobre o semiárido. Já o São Francisco tem uma condição particular, porque sua cabeceira, em Três Marias, está no Sudeste, enquanto o trecho médio e a foz estão sob maior influência do semiárido.
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