Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
As mudanças climáticas já provocam impactos estruturais sobre a demanda de energia elétrica no Brasil. E ainda, ampliam os desafios para o planejamento e a operação do Sistema Interligado Nacional. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor tem levado a sucessivos recordes de carga. E assim exigem mais resiliência do sistema elétrico, bem como o aperfeiçoamento dos modelos de previsão de demanda.
Em 2024, o consumo de energia elétrica no país alcançou 561,6 TWh, crescimento de 5,5% em relação a 2023. No mesmo período, o SIN registrou novos recordes de demanda máxima. Esse comportamento é atribuído a eventos de calor extremo. Em fevereiro deste ano foram seis quebras de recorde no mês, com pico de 106.532 MW. Assim, diz o planejador evidencia a crescente sensibilidade da carga às variações climáticas.
De acordo com a EPE, compreender a relação entre clima e consumo tornou-se um insumo estratégico para o planejamento da expansão e da operação do sistema. Embora a demanda varie naturalmente ao longo do dia, a eletrificação da economia e a adoção de novas tecnologias têm intensificado os picos de carga. Sobretudo, nos horários de maior uso de equipamentos de climatização.
A climatização de ambientes desponta como um dos principais vetores de crescimento da demanda elétrica. A posse de aparelhos de ar-condicionado nas residências brasileiras cresceu 18% entre 2005 e 2019. Além disso, apresenta amplo potencial de expansão. As projeções indicam que, até 2036, a climatização poderá responder por até 17,9% do consumo residencial. Contudo, esse avanço depende da eficiência energética e do comportamento dos consumidores.
Além disso, a eletrificação da economia tende a ampliar a carga estrutural do sistema. Ademais, a expansão da frota de veículos elétricos, o crescimento de data centers e o avanço de projetos de hidrogênio são exemplos de novas cargas eletrointensivas. Estes segmentos devem impactar significativamente a demanda nas próximas décadas.
Os efeitos das mudanças climáticas sobre a demanda variam entre os subsistemas do SIN. No Norte e no Nordeste, a tendência de aumento da duração das secas pode elevar o consumo associado à climatização e ao bombeamento de água. Entretanto, no Sudeste e Centro-Oeste há forte correlação entre elevação da temperatura e crescimento do consumo. Por outro lado, no Sul, a elevada amplitude térmica faz com que tanto ondas de calor quanto períodos de frio pressionem a demanda. Ademais, a região está exposta a eventos extremos, e cita por exemplo, as chuvas que impactaram o Rio Grande do Sul em 2024.
Ou seja, esse cenário aumenta o risco de picos de demanda acima do previsto. Dessa forma torna mais complexa a garantia de atendimento em momentos críticos. E ainda, exige maior flexibilidade operacional do sistema elétrico.
Para lidar com essas incertezas, a EPE aponta que tem incorporado variáveis climáticas aos estudos de planejamento energético. E ainda, aprimorado os modelos de projeção da demanda e intensificado o monitoramento do consumo de eletricidade. Instrumentos como o Plano Decenal de Energia (PDE) e o Plano Nacional de Energia (PNE) já passaram a tratar explicitamente da resiliência do sistema frente a eventos climáticos extremos.
Entre as medidas apontadas pelo setor estão o avanço da eficiência energética, o desenvolvimento de redes inteligentes, a ampliação de sistemas de armazenamento, o fortalecimento de mecanismos de resposta da demanda e o aprimoramento de sinais tarifários, de forma a reduzir pressões sobre o sistema nos horários de pico.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental