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AIE: Demanda por carvão bate recorde em 2025

Em: 06/01/2026 às 08:46h por Canal Energia

Expansão renovável, nuclear e do gás natural competem com o energético que deve ter inflexão em 2026. Índia aparece com maior aumento absoluto no consumo carbonífero em cinco anos

 

A demanda global por carvão apresentou crescimento 0,5% nesse ano, atingindo um novo recorde de 8,85 bilhões de toneladas. De acordo com o relatório anual de mercado da Agência Internacional de Energia (AIE), o volume supera a marca de 2024, enquanto seguem as previsões para diminuição gradual do combustível fóssil até o final da década. Isso considerando o mesmo patamar de 2023.


Conforme o levantamento, tal movimento se deve principalmente às mudanças no setor de energia, que atualmente responde por dois terços do consumo total de carvão. Com o aumento da capacidade eólica e solar, expansão da nuclear e a chegada de boa quantidade de gás natural liquefeito ao mercado, prevê-se que a geração a carvão diminua a partir de 2026. E com o setor industrial permanecendo como o mais resiliente.


A pesquisa também indica que os padrões de consumo divergiram de suas tendências recentes em diversos mercados. Na Índia, uma temporada de monções precoce e intensa resultou em uma queda no uso anual pela terceira vez em cinco décadas. Nos Estados Unidos, os preços mais altos do gás e as medidas políticas que desaceleraram a desativação carbonífera impulsionaram o consumo, que vinha em descendência nos 15 anos anteriores. Já na União Europeia o carvão diminuiu modestamente após dois anos de quedas de dois dígitos.


O fator China

Ao mesmo tempo, a publicação aponta que o uso de carvão permaneceu praticamente inalterado na China em relação ao seu nível de 2024. Assim, o gigante asiático atualmente responde por mais da metade do consumo global. Mas continua a implantar capacidade renovável em ritmo acelerado, com o governo buscando atingir o pico no consumo doméstico de carvão até 2030.


O documento ressalta ainda a existência de muitas incertezas que afetam as perspectivas para o energético. Principalmente na China, onde o crescimento econômico e escolhas políticas continuarão a ter uma influência desproporcional no cenário global. Nessa parte, a AIE também acrescenta a dinâmica do mercado de energia e o clima.


Entre fatores que poderão impulsionar a demanda global do insumo acima das previsões, a AIE aponta o crescimento mais rápido do que o esperado no consumo de eletricidade. Além de uma integração mais lenta de energias renováveis ou um forte investimento na gaseificação do carvão.


O estudo salienta que o apetite dos chineses pelo energético impulsionou o comércio global, atenuando o impacto da queda das importações da União Europeia, Japão, Coreia e outros. No entanto, o país reduziu as importações em 2025 devido ao excesso de oferta e à demanda fraca. Tendência que deverá continuar na década, podendo levar a uma redução no comércio de carvão em todo o mundo.


A exceção da Índia

Além disso, o relatório indica que o carvão metalúrgico parece ter perspectivas mais fortes devido à dependência da Índia em relação às importações para sustentar sua crescente indústria siderúrgica. No geral, em meio a uma perspectiva morna para a demanda, com estoques abundantes e preços mais baixos comprimindo as margens de lucro, é esperado que a produção diminua na maioria dos principais países produtores até 2030.


Isso inclui a China, com a diminuição da demanda interna, e a Indonésia, que deverá ser afetada por um comércio mais fraco. Já a Índia provavelmente será uma exceção, com a produção de carvão aumentando à medida que o governo busca reduzir a dependência do país em relação às importações.


Assim, a AIE vê o país tendo o maior aumento absoluto no consumo de carvão até 2030, onde a demanda deverá crescer em média 3% ao ano. O que levará a um incremento total de mais de 200 milhões de toneladas. Enquanto isso, é previsto um crescimento mais rápido para o Sudeste Asiático. A demanda deverá aumentar mais de 4% ao ano até o final do período em análise.