Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O mercado global de energia solar entrou em um novo ciclo de reajuste de preços, com fabricantes de módulos fotovoltaicos indicando que o movimento de alta – iniciado no fim de 2025 – deve se intensificar ao longo de 2026.
Segundo informações exclusivas obtidas pelo Canal Solar junto às empresas, os preços dos painéis solares já registraram um primeiro reajuste entre 10% e 15%, ocorrido entre o fim de dezembro de 2025 e o início de janeiro de 2026, e a expectativa é de que novos aumentos sejam anunciados nos próximos meses.
Matheus Cerutti, Head of Sales Latam da Astronergy, explica que o reajuste surpreendeu parte do mercado pelo timing, ao ocorrer no período entre o Natal e o Ano Novo. “No fim do ano passado, já existia uma expectativa de aumento, mas o movimento acabou acontecendo de forma mais rápida do que muitos esperavam. Esse primeiro reajuste já ficou na casa dos 10%”, afirmou.
Na avaliação do executivo, esse movimento representa apenas o primeiro passo de um ajuste estrutural. “Eu acredito que ainda possa haver mais um aumento de cerca de 10% até o Ano Novo Chinês ou logo após. É uma leitura de cenário, não uma certeza absoluta, mas os sinais apontam nessa direção”, explicou.
Cerutti também chamou atenção para a expectativa de encerramento do reembolso do VAT (Value-Added Tax), incentivo fiscal concedido pelo governo chinês às exportações. Atualmente, o benefício está em torno de 9%, após já ter sido reduzido de patamares próximos a 13% nos anos anteriores. “Quando esse incentivo for retirado pelo governo chinês, o impacto será direto. Estamos falando de mais 9% de aumento no preço”, destacou.
Segundo Cerutti, os contratos mais recentes de fabricantes do setor já passaram a incorporar cláusulas de reajuste automático em caso de mudanças na política de incentivo às exportações, o que sinaliza que o mercado já se antecipa a esse cenário. “Acredito que o aumento acumulado ao longo do ano possa chegar a algo entre 25% e 30% em relação aos preços dos módulos fotovoltaicos chineses praticados até o fim do ano passado”, concluiu.
Além da política fiscal, Cerutti explica que o setor fotovoltaico enfrenta uma reorganização profunda na cadeia produtiva. Segundo ele, o governo chinês tem imposto diretrizes de controle de capacidade, especialmente no segmento de polissilício, o que contribuiu para uma alta próxima de 50% no preço do insumo ao longo de 2025.
Paralelamente, ele explica que fabricantes vêm promovendo o desligamento de linhas antigas, especialmente de tecnologias consideradas ultrapassadas, como o PERC, para concentrar investimentos em novas gerações de módulos, num processo que exige capital elevado e reduz a oferta disponível no curto prazo.
Além disso, o aumento dos custos de matérias-primas críticas, como prata, cobre e alumínio, também tem pressionado o custo por Watt dos módulos. Esses materiais são essenciais desde a metalização das células até estruturas e conexões elétricas.
Mesmo com tudo isso, Cerutti lembra que os preços dos painéis solares seguem abaixo dos níveis históricos. “Desde janeiro de 2023, quando teve início a queda mais acentuada, os valores recuaram cerca de 65%, atingindo um patamar mínimo. Mesmo com esses aumentos esperados, ainda não chega no mesmo patamar dos preços praticados em 2022″, frisou.
Na mesma linha, Felipe Santos, diretor regional LATAM da Osda Solar, destacou que o movimento de alta nos preços dos painéis solares não começou agora, mas vem sendo construído desde o fim de 2025, impulsionado por uma combinação de fatores estruturais e macroeconômicos.
Segundo ele, um dos principais vetores dessa alta foi a valorização recorde da prata, insumo essencial na fabricação das células solares. O metal é utilizado na metalização das células, responsável pelas trilhas condutoras, e sua escalada de preços já vinha pressionando os custos desde o final do ano passado.
Outro fator relevante citado pelo executivo é a alta do alumínio, que figura como o terceiro principal componente no custo de fabricação dos painéis solares, atrás apenas das células e do vidro. “O preço do alumínio disparou, e isso impacta diretamente o custo do módulo”, explicou.
Além do aumento nos custos dos insumos, Santos explicou que a valorização do Yuan frente ao Dólar também pressiona os preços, já que os custos são em moeda local e os fabricantes precisam reajustar os valores em Dólar para obter a mesma quantidade de Yuans.
O executivo também ressaltou que o controle mais rígido da capacidade produtiva imposto pelo governo chinês, especialmente em segmentos como o polissilício, contribui para um ambiente de menor excesso de oferta e maior disciplina de preços. “Além das medidas adotadas para estabilizar a indústria e torná-la mais saudável, esses fatores macroeconômicos vêm impactando fortemente os preços dos módulos desde o final do ano passado”, concluiu.
Danilo Borrigueiro, diretor comercial da DMEGC Solar, avaliou que a perspectiva de um aumento superior a 20% nos preços dos módulos fotovoltaicos não se trata de um movimento pontual, mas do reflexo de uma tendência de alta estrutural ao longo de toda a cadeia global.
"Em dezembro de 2025, vivemos um marco histórico: o custo da pasta de prata em células de alta eficiência (US$ 0,0170/W) ultrapassou o do próprio wafer de silício (US$0,0169/W). Esse cenário é agravado pela pressão de outras commodities essenciais, como o vidro e o ouro, que seguem em forte valorização neste início de 2026”, disse ele.
Borrigueiro também destacou fatores macroeconômicos que ampliam essa pressão. Segundo ele, a Bolsa de Valores da China atingiu o maior nível dos últimos dez anos, sinalizando um ambiente econômico que impacta diretamente a cadeia fotovoltaica global.
“Além dos insumos, estamos acompanhando uma reestruturação estratégica na China. O governo e as indústrias estão reduzindo ativamente o excedente de produção (oversize) para ajustar a oferta à demanda real do mercado global, priorizando a saúde financeira do ecossistema”, salientou.
Na avaliação do diretor comercial, esse movimento de autorregulação busca garantir que os preços praticados pelas fabricantes Tier 1 permaneçam em um patamar considerado saudável, condição essencial para assegurar a viabilidade financeira do setor e a continuidade dos investimentos em inovação tecnológica.
“Para o mercado brasileiro, o cenário exige planejamento, pois entramos em um ciclo onde a segurança de fornecimento será o grande diferencial”, destacou.
Ricardo Marchezini, Country Manager Brazil da Risen Energy, destacou que o recente aumento nos preços de matérias-primas estratégicas, como a prata, tem provocado uma elevação significativa nos custos de produção dos módulos fotovoltaicos.
Segundo ele, esse movimento afeta toda a cadeia global e, de forma inevitável, também o mercado brasileiro. “Esse cenário tem forçado todos os fabricantes a reajustarem seus preços, refletindo-se também nos valores praticados pelos distribuidores locais”, disse ele.
Segundo o executivo, trata-se de “um movimento generalizado da indústria, decorrente de fatores externos à cadeia de distribuição, que reforça a necessidade de adequações comerciais para manter a sustentabilidade e a continuidade do fornecimento ao mercado”, salientou.
Na mesma linha, Samir Moura, General Manager da Canadian Solar Brasil, explicou que, desde o final do ano passado, os produtores de polissilício vêm adotando uma série de medidas para regular o nível de produção. Segundo ele, há um esforço coordenado da indústria para reduzir a utilização da capacidade instalada, postergar expansões, eliminar preços informais e criar capacidade ociosa, diante do elevado volume de estoques acumulados.
De acordo com Moura, essas medidas estão sendo adotadas com o objetivo de reduzir o estresse financeiro enfrentado pelos produtores de polissilício e por toda a cadeia de produção de painéis solares, incluindo alguns dos maiores fabricantes globais. Esse movimento, segundo ele, é um dos principais fatores que vêm pressionando os preços dos módulos. Um segundo elemento que se soma a esse cenário é a alta dos metais utilizados na fabricação dos painéis.
A prata, componente importante das células fotovoltaicas, chegou a registrar recordes de preço, acompanhando a valorização do ouro no mercado internacional. “O alumínio também subiu, é outro componente importante que vem ganhando valor e pressiona os custos de produção dos painéis solares. Então, desde dezembro a gente já vem acompanhando esse mercado”, disse ele.
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