Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O consumo de energia elétrica no Brasil deve encerrar o mês de janeiro de 2026 com alta de 5,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
A projeção é do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e aparece no novo Programa Mensal da Operação (PMO), com dados divulgados para a semana operativa entre 10 e 16 de janeiro.
O crescimento do consumo está diretamente ligado às altas temperaturas registradas em várias regiões do país, que vêm elevando o uso de ar-condicionado e outros equipamentos de refrigeração, impactando diretamente a demanda por energia no SIN (Sistema Interligado Nacional).
Segundo o ONS, o destaque negativo é a situação dos reservatórios da região Sul, que estão operando com apenas 29,5% da energia armazenada máxima (EARmáx), o menor nível entre as quatro regiões do sistema.
Confira os níveis de armazenamento por região:
Sul: 29,5%
Sudeste/Centro-Oeste: 58,3%
Nordeste: 74,6%
Norte: 77,9%
Esse patamar crítico no Sul acende um sinal de alerta, sobretudo por causa da frequência de estiagens e da menor previsibilidade hidrológica na região.
O ONS já considera estratégias para preservação da energia armazenada e uso estratégico de térmicas para reduzir riscos de desequilíbrio.
Os valores médios semanais do CMO (Custo Marginal de Operação) registraram forte alta em todos os subsistemas do SIN.
No Sudeste/Centro-Oeste e no Sul, o CMO subiu de R$ 119,10/MWh para R$ 296,18/MWh. No Nordeste, o custo passou de R$ 119,10/MWh para R$ 295,73/MWh. No Norte, o valor médio saltou de R$ 289,25/MWh para R$ 296,18/MWh.
Segundo o ONS, o aumento expressivo do CMO reflete alterações nas condições operativas do sistema elétrico, com destaque para a redução nas afluências e a necessidade de maior despacho térmico.
Esses fatores contribuem para pressionar os custos operacionais e devem influenciar diretamente o comportamento do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) nas próximas semanas.
Apesar da pressão sobre os reservatórios, a geração hidráulica segue atendendo a maior parte da carga do país, respondendo por cerca de 65% da demanda.
As fontes renováveis, como solar e eólica, também seguem com desempenho positivo, especialmente no Nordeste, onde operam com alta produtividade.
O documento aponta ainda que o uso complementar de usinas térmicas tem sido essencial para manter a confiabilidade do sistema durante os períodos de pico e em regiões com restrições de transmissão.
Diante do cenário de calor e aumento de consumo, o ONS vem adotando uma série de ações preventivas para garantir o equilíbrio entre geração e demanda:
Reforço no despacho térmico em regiões críticas;
Preservação dos reservatórios com menor capacidade de recuperação;
Monitoramento do carregamento nas linhas de transmissão;
Ajustes operacionais em tempo real para evitar sobrecargas;
Avaliação do uso de energia de reserva e sistemas de armazenamento.
O relatório também destaca que o avanço das fontes renováveis intermitentes — como energia solar e eólica — demanda mais flexibilidade e capacidade da malha elétrica.
Com parte da geração concentrada em regiões com menor infraestrutura de escoamento, o sistema elétrico brasileiro enfrenta desafios crescentes de operação.
O ONS reforça que os leilões de transmissão previstos para os próximos anos serão fundamentais para resolver gargalos e ampliar a segurança elétrica, especialmente em momentos de alta demanda e forte variabilidade climática.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental