Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição

de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso

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Calor aumenta consumo de energia e ONS alerta sobre reservatórios no Sul

Em: 12/01/2026 às 09:05h por Canal Solar

Carga cresce 5,6% no início de 2026 com onda de calor; nível dos reservatórios do Sul preocupa Operador Nacional do Sistema

 

O consumo de energia elétrica no Brasil deve encerrar o mês de janeiro de 2026 com alta de 5,6% em relação ao mesmo período do ano passado.


A projeção é do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e aparece no novo Programa Mensal da Operação (PMO), com dados divulgados para a semana operativa entre 10 e 16 de janeiro.


O crescimento do consumo está diretamente ligado às altas temperaturas registradas em várias regiões do país, que vêm elevando o uso de ar-condicionado e outros equipamentos de refrigeração, impactando diretamente a demanda por energia no SIN (Sistema Interligado Nacional).


Nível dos reservatórios do Sul está em alerta


Segundo o ONS, o destaque negativo é a situação dos reservatórios da região Sul, que estão operando com apenas 29,5% da energia armazenada máxima (EARmáx), o menor nível entre as quatro regiões do sistema.


Confira os níveis de armazenamento por região:


Sul: 29,5%

Sudeste/Centro-Oeste: 58,3%

Nordeste: 74,6%

Norte: 77,9%


Esse patamar crítico no Sul acende um sinal de alerta, sobretudo por causa da frequência de estiagens e da menor previsibilidade hidrológica na região.

O ONS já considera estratégias para preservação da energia armazenada e uso estratégico de térmicas para reduzir riscos de desequilíbrio.


CMO sobe em todos os subsistemas e passa de R$ 295/MWh


Os valores médios semanais do CMO (Custo Marginal de Operação) registraram forte alta em todos os subsistemas do SIN.


No Sudeste/Centro-Oeste e no Sul, o CMO subiu de R$ 119,10/MWh para R$ 296,18/MWh. No Nordeste, o custo passou de R$ 119,10/MWh para R$ 295,73/MWh. No Norte, o valor médio saltou de R$ 289,25/MWh para R$ 296,18/MWh.

Segundo o ONS, o aumento expressivo do CMO reflete alterações nas condições operativas do sistema elétrico, com destaque para a redução nas afluências e a necessidade de maior despacho térmico.

Esses fatores contribuem para pressionar os custos operacionais e devem influenciar diretamente o comportamento do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) nas próximas semanas.



Fontes renováveis ajudam, mas operação exige equilíbrio


Apesar da pressão sobre os reservatórios, a geração hidráulica segue atendendo a maior parte da carga do país, respondendo por cerca de 65% da demanda.


As fontes renováveis, como solar e eólica, também seguem com desempenho positivo,  especialmente no Nordeste, onde operam com alta produtividade.


O documento aponta ainda que o uso complementar de usinas térmicas tem sido essencial para manter a confiabilidade do sistema durante os períodos de pico e em regiões com restrições de transmissão.


Medidas preventivas adotadas pelo ONS


Diante do cenário de calor e aumento de consumo, o ONS vem adotando uma série de ações preventivas para garantir o equilíbrio entre geração e demanda:

Reforço no despacho térmico em regiões críticas;

Preservação dos reservatórios com menor capacidade de recuperação;

Monitoramento do carregamento nas linhas de transmissão;

Ajustes operacionais em tempo real para evitar sobrecargas;

Avaliação do uso de energia de reserva e sistemas de armazenamento.


Transição energética e necessidade de reforço na transmissão


O relatório também destaca que o avanço das fontes renováveis intermitentes — como energia solar e eólica — demanda mais flexibilidade e capacidade da malha elétrica.

Com parte da geração concentrada em regiões com menor infraestrutura de escoamento, o sistema elétrico brasileiro enfrenta desafios crescentes de operação.

O ONS reforça que os leilões de transmissão previstos para os próximos anos serão fundamentais para resolver gargalos e ampliar a segurança elétrica, especialmente em momentos de alta demanda e forte variabilidade climática.