Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
Avanços tecnológicos em painéis fotovoltaicos, baterias e gestão energética estão permitindo que projetos de energia solar sejam viáveis mesmo em regiões com menor incidência de luz solar. No Brasil, a capacidade instalada de energia solar já ultrapassa 60 GW. Esse volume representa cerca de 25% da matriz elétrica nacional e o setor continua a crescer rapidamente. Segundo a dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), mais de 3,7 milhões de sistemas de geração distribuída já foram instalados em residências, comércios e propriedades rurais.
Com o mercado solar brasileiro amadurecendo, a discussão não é mais apenas sobre a quantidade de sol disponível. Mas como maximizar a geração de energia em condições menos favoráveis. O CEO da Energy+, Rodrigo Bourscheidt, destacou ao CanalEnergia quatro estratégias essenciais para viabilizar projetos em regiões de baixa irradiação.
O primeiro são as tecnologias avançadas, como TOPCon e HJT. Estas opções oferecem maior eficiência ao aproveitar melhor a luz solar, mesmo em condições de baixa incidência. Esses painéis superam os tradicionais do tipo PERC, que já possuem uma camada para reduzir perdas de luz. “Em regiões com pouca luz solar, essa eficiência extra é crucial para garantir bom desempenho e retorno financeiro”, explicou Bourscheidt.
Já os painéis que captam luz dos dois lados são uma solução eficaz para locais com baixa irradiação. Quando instalados sobre superfícies claras ou refletivas, como telhados pintados ou pisos claros, eles aproveitam a luz indireta para aumentar a produção. “Essa tecnologia é especialmente útil em regiões onde o sol é fraco ou muda bastante ao longo do dia”, ressaltou o executivo.
Essa é a recomendação para telhados com sombras, inclinações diferentes ou obstáculos. Os microinversores e otimizadores permitem que cada painel funcione de forma independente, evitando que um equipamento com menor desempenho prejudique os demais. “Essa tecnologia reduz perdas e aumenta a eficiência do sistema, mesmo em condições menos ideais”, afirmou Rodrigo.
E por último, ele cita o armazenamento de energia em baterias. Ou seja, usar sistemas de controle inteligente para decidir quando consumir ou guardar energia é uma estratégia eficaz em regiões de sol fraco ou variável. “Essa combinação garante mais autonomia, protege contra quedas de energia e permite usar eletricidade solar nos horários mais caros da conta”, explicou o CEO da Energy+.
Além das estratégias, Bourscheidt destacou os desafios enfrentados por projetos em regiões de baixa irradiação. “Tecnicamente, há menor disponibilidade de energia direta por metro quadrado instalado. Portanto, isso pode reduzir a geração total anual e afetar indicadores de performance e rentabilidade. Economicamente, o payback tende a ser mais longo, pois a menor geração implica menor economia imediata na conta de energia ou menor geração de créditos para injeção na rede. Além disso, barreiras regulatórias e limitações de infraestrutura podem impor custos adicionais e exigências técnicas específicas”, explica.
E o crescimento da geração distribuída (GD) no Brasil tem impulsionado a adoção de energia solar mesmo em regiões menos favoráveis. “A GD permite economia significativa na conta de luz e melhora a resiliência energética das comunidades locais. Além disso, fortalece a cadeia de fornecedores, instaladores e integradores técnicos, gerando emprego e desenvolvimento tecnológico”, afirmou o CEO da Energy+.
Entretanto, os incentivos governamentais também desempenham um papel crucial. O Marco Legal da Geração Distribuída (Lei nº 14.300/2022) e programas como o Plano Safra e o RenovAgro oferecem benefícios tributários e linhas de crédito com taxas atrativas para sistemas fotovoltaicos. “Esses incentivos ajudam a viabilizar projetos mesmo em regiões com menor irradiação, melhorando a atratividade econômica”, explicou Bourscheidt.
O tempo médio de retorno do investimento (payback) em regiões de baixa irradiação varia entre 4 e 7 anos, dependendo de fatores como localização, tarifa de energia e tecnologia utilizada. “Apesar de um custo inicial mais alto, tecnologias avançadas aumentam a eficiência e aceleram o retorno financeiro ao longo do tempo, graças às economias operacionais e à maior geração acumulada”, afirmou o executivo.
As perspectivas para o futuro são positivas. “A evolução tecnológica, o amadurecimento regulatório e o fortalecimento de soluções de gestão energética tendem a expandir a viabilidade de projetos em regiões com menor irradiação. Programas de inovação, digitalização e integração com baterias e smart grids ampliam o escopo de aplicações, inclusive em áreas urbanas densas ou historicamente menos favoráveis”, disse Bourscheidt.
“Não existe uma solução única e sim um projeto bem feito”, reforça Rodrigo. “Em locais com baixa incidência solar, a diferença está nos detalhes: escolher a tecnologia de painel mais adequada, usar acompanhamento solar quando fizer sentido, aproveitar os ganhos de albedo, que são os reflexos da luz em superfícies claras, como pisos ou telhados que devolvem luminosidade para o painel, e integrar armazenamento. É assim que transformamos pouco sol em mais eficiência”, finalizou o CEO da Energy+.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental