Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição
de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso
O potencial de Mato Grosso para ampliar sua participação na matriz energética nacional por meio dos biocombustíveis e do biometano esteve no centro dos debates do painel “Biocombustíveis e Biometano – potencial de Mato Grosso para a matriz energética nacional”, realizado durante o Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, em Cuiabá.
O painel foi mediado pelo diretor da MTGás, Manuel Antonio Garcia Palma, e reuniu representantes do Governo Federal, especialistas do setor energético e lideranças empresariais para discutir oportunidades de industrialização, inovação e aproveitamento de resíduos na geração de energia renovável.
O ex-senador Cidinho Santos destacou que Mato Grosso consolidou, nos últimos anos, uma forte vocação para o setor de biocombustíveis, impulsionada principalmente pelo agronegócio. Segundo ele, o estado já é o maior produtor de etanol de milho do Brasil e o segundo maior produtor nacional de biodiesel.
“Tudo isso representa agregação de valor daquilo que Mato Grosso já produz. A industrialização do milho, da soja e do caroço de algodão fortalece outras cadeias, como a proteína animal, e abre espaço para novas oportunidades ligadas ao biometano e ao biogás”, afirmou.
Cidinho também ressaltou o potencial do estado para aproveitar resíduos industriais e transformá-los em energia, além de defender investimentos estruturantes para ampliar a competitividade regional.
“O Mato Grosso tem potencial para se tornar a Califórnia brasileira. Estamos avançando com ferrovias, rodovias, biocombustíveis, proteína animal e agora também com o biometano. Nos próximos anos, o estado vai se consolidar como referência nacional em bioenergia”, disse.
O diretor de Departamento de Programas de Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Osório Coelho, destacou que o Governo Federal vem ampliando instrumentos de apoio financeiro e tecnológico para projetos ligados ao biogás e biometano. Segundo ele, o desenvolvimento da cadeia energética precisa considerar as características regionais de cada estado.
“É fundamental entender o potencial da biomassa disponível em Mato Grosso para estruturar políticas públicas eficazes voltadas à produção de biogás e biometano. Esse trabalho exige integração entre estados e Governo Federal”, afirmou.
Já o especialista Felipe Souza Marques, presidente do CIBiogás, destacou que o aproveitamento energético de resíduos industriais pode aumentar a competitividade de diversos segmentos econômicos, especialmente da proteína animal e da agroindústria.
Segundo ele, o biogás e o biometano devem ser vistos como ferramentas estratégicas para redução de custos, segurança energética e fortalecimento da economia circular.
“O biogás precisa estar conectado ao negócio principal das empresas. Ele pode reduzir custos com energia, ampliar a segurança energética e gerar diferencial competitivo para quem exporta. Quando a indústria produz o próprio combustível e utiliza dentro da própria cadeia, ela ganha competitividade e reduz a dependência externa”, explicou.
Felipe também ressaltou que Mato Grosso possui forte potencial para ampliar sua atuação em bioenergia, aproveitando resíduos orgânicos gerados pela agroindústria, frigoríficos e usinas de etanol.
“O estado já possui uma conexão muito forte com o agronegócio e pode consolidar uma posição ainda mais estratégica quando se fala em bioenergia. O biogás e o biometano podem ser incorporados rapidamente dentro dessa cadeia produtiva, de forma sustentável e com geração de valor”, completou.
O Sindenergia é uma importante voz para as empresas do setor de energia em Mato Grosso, promovendo o diálogo entre as empresas, o governo e a sociedade, com o objetivo de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental