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Hora de superar o trauma e voltar ao setor de energia

Em: 02/10/2017 às 13:59h por

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Investidores estrangeiros pagaram mais de R$ 12 bilhões na semana passada por quatro usinas hidrelétricas, montante equivalente ao que será desembolsado por grupos nacionais e internacionais que venceram o último leilão de transmissão, ocorrido em abril. Além disso, há uma série de empresas do setor, nacionais e estrangeiras, de olho nas distribuidoras da Eletrobras que irão à venda até o início de 2018. Esse apetite todo pela área energética, no entanto, ainda não se reflete na negociação e no preço das ações do setor.

O Índice de Energia Elétrica (IEE) acumula alta de 14,4% no ano, desempenho inferior aos 23,4% do índice de referência Ibovespa. Analistas lembram que essa disparidade está atrelada às mudanças regulatórias e à crise hídrica enfrentadas pelo setor desde o fim de 2012, o que tirou a previsibilidade de receitas e aumentou os custos das empresas. O resultado foi que as ações afundaram nos meses seguintes. Por outro lado, os especialistas também indicam que, por terem caído muito, esses papéis têm boas chances de ganhos com a estabilização das regras.

— Alguns setores sofreram mais na recessão. Agora, tendem a se valorizar mais também. Alguns papéis de energia estão com preços muito abaixo da média — avalia Marco Saravalle, analista da XP Investimentos.
O setor de energia sempre foi considerado um bom pagador de dividendos. Por essa razão, estava na carteira dos investidores que queriam ter exposição ao mercado de ações, mas não desejavam uma variação muito forte em suas aplicações. Além disso, garantiam uma renda contínua com pagamento de proventos (dividendos e juros sobre o capital próprio). 
MP 579 afugentou investidor 

O problema começou com a edição, no fim de 2012, da medida provisória (MP) 579, que antecipou o vencimento das concessões das empresas do setor de forma automática, mas por tarifas menores. Na sequência, diversas regiões do país enfrentaram uma forte crise hídrica, que secou os reservatórios e fez disparar os preços de energia, tanto por causa do acionamento de térmicas, cujo custo é superior ao das hidrelétricas, como pela demanda no mercado livre, onde grandes empresas compram energia.
Saravalle lembra que alguns investidores ainda têm trauma das perdas ocorridas nesse período, por isso ainda não retornaram a esses papéis. Mas ele acredita que as mudanças no setor não passarão despercebidas, o que aumentará o interesse por ações das empresas de energia.

— Tem investidor que ficou com trauma. As carteiras de dividendos tinham mais de 30% dos papéis do setor de energia. Depois elas deixaram de ser recomendadas. Mas agora, aos poucos, voltam a aparecer — lembra o analista.

As transmissoras são vistas como as mais estáveis neste momento. Isso porque, independentemente de recessão econômica ou crescimento, as receitas variam pouco, o que as deixa na categoria de papéis defensivos. São vistas como boas pagadoras de dividendos por Saravalle, a Transmissão Paulista, cujos papéis acumulam alta de apenas 6,7% no ano, e a Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (Taesa), de 13%.
Para quem tem maior apetite por risco, ele vê como opções os papéis da Cemig (ganho de 6,4% em 2017), caso esta consiga reduzir o seu endividamento com a venda de ativos, e a Eletrobras (estável no ano), que tem em curso um plano de privatização e venda de ativos.

Para quem quer um papel com potencial de ganho, mas não tem muito apetite por risco, Phillip Soares, analista da Ativa Investimentos, recomenda a Equatorial, que acumula ganho de 13,7% no ano:
— Esses papéis sofreram também com a crise econômica, já que a indústria é a grande consumidora de energia. Mas é um setor com perspectiva de melhora. A Equatorial tem como perfil comprar empresas a um bom preço e mudar a gestão, o que tem garantido bons resultados.

Outro papel considerado atraente é o da geradora AES Tietê.

Ricardo Zeno, diretor da AZ Investimentos, reforça que o setor de energia é essencial no processo de retomada da economia, mas admite que as mudanças regulatórias dos últimos anos afugentaram o investidor.

— O preço desses papéis ficou defasado. Os níveis de preços estão bem atraentes, mas é importante dar ao investidor uma regra mais clara sobre como vão funcionar as concessões, já que elas são de longo prazo, e mudanças no meio do caminho afetam o retorno dos investimentos — afirma Zeno.

Fonte: O Globo




 

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